Sinto que há um abandono dentro de mim.
Um abandono que tem cheiro de morte
Provocado pela ausência.
Sinto que há um movimento maior dentro de mim.
Um movimento linear não mais circular
Que leva-me, talvez, de encontro a um sentimento de libertação.
Sinto que há um adeus surgindo.
Um adeus não programado, não esperado, mas que surge
E surge em um tempo certo
O tempo que sem perceber desenhamos
Com nossos abandonos; pela nossa ausência de palavras certas.
Patrícia Prado



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